Diário de Design #01 - Gárgula Verde

   Começo aqui uma série de publicações para compartilhar um pouco do meu processo criativo de sistema e de mundo de fantasia e RPG e te convido para acompanhar esse Diário de Design.

    Enquanto o sistema ainda está em desenvolvimento e testes, vou apresentando algumas ideias que já estão definidas e, ao mesmo tempo, enriquecendo o lore do cenário. Não esqueça de comentar e deixar suas impressões.

    Nesta publicação, você acompanha o processo criativo da Gárgula Verde.




    Criando um bestiário

    A Gárgula Verde é um monstro que planejei para o cenário "O Forte da Chegada" e cuja grande missão é proteger um templo abandonado e evitar que aventureiros errantes libertem uma divindade-monstro adormecida. 
    Povoar um mundo de RPG com monstros e criaturas desafiadoras para os heróis enfrentarem é uma tarefa muito divertida. Mas um aspecto que me fez pensar antes de sair criando monstros é que seria importante definir uma escala de ameaça. Não se trata de planejar os monstros da aventura para adequá-los aos personagens dos jogadores. Mesmo assim, pode ser interessante ter uma escala de poder que permita aos jogadores avaliarem se é melhor enfrentar um determinado inimigo ou fugir dele. Aqui fiz a primeira definição: uma escala de ameaça que vai de 1 a 5. Para uma referência fácil:
    Ameaça 1 : personagens de nível inicial conseguem derrotar sem muita dificuldade. Ex: goblin.
    Ameaça 2: personagens de nível inicial podem ter algum trabalho para derrotar. Vai exigir um pouco de estratégia.
    Ameaça 3: se os personagens não tiverem sorte, não planejarem corretamente ou cometerem erros, podem morrer. É bom pensar duas vezes antes de simplesmente entrar em combate. Ter personagens com mais níveis no grupo ajudaria a vencer.
    Ameaça 4: pouquíssima chance para personagens em nível inicial. Aventureiros experientes terão dificuldades para vencer.
    Ameaça 5: personagens com vários níveis precisam de bom planejamento e não podem cometer erros para vencer. Ex: dragão adulto.

    A criatura que estou criando é uma gárgula. Quero que uma gárgula seja um inimigo que os jogadores respeitem. Fica assim, então, a ficha da criatura:

    Gárgula
    Ameaça: 3

    Atributos:
    Ataque 3
    Defesa 3
    Corpo 3
    Mente 1
    Magia 0
    Social 1

    Pontos de Vida: 6+1d6

    Nossa gárgula, até aqui, é muito genérica. É preciso dar alguma particularidade para que ela não seja só um saco de XP. Eu acho bem interessante fazer isso com algumas características que ficam na fronteira entre o sistema e a narrativa. Então, como a Gárgula Verde habita uma ruína de um templo, que é um cenário subterrâneo, não faz sentido ela ter a habilidade de voo. Mas ela precisa ter um deslocamento mais rápido naquele terreno. Então, vamos incluir que ela se desloca com a mesma velocidade de voo, só que para efeitos narrativos ela faz isso usando as paredes, como se fosse uma criatura que pode rastejar na vertical e no teto com rapidez. Agora seria legal incluir alguns detalhes de comportamento: ela protege uma área específica do templo. Então, sempre vai atacar quem estiver chegando mais perto dessa área primeiro. Como é uma criatura criada magicamente para uma missão, ela não recua se estiver com poucos pontos de vida: vai até o fim, mesmo que seja destruída. Ela não tem, portanto, consciência.
    Último detalhe: nossa gárgula é uma gárgula verde porque, diferente das gárgulas tradicionais, que são estátuas, ela é feita de elementos naturais. Isso é uma ferramenta narrativa para demonstrar que ela é "mais pura" do que a criatura que ela está guardando. Como se fosse uma oposição ao aspecto de trevas e bestialidade do monstro-deus que ela vigia.

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